Me parece estranho
o comportamento do médium Divaldo Franco, conhecido em todo o mundo pela
propagação do espiritismo e pelas obras de caridade. Recentemente ele declarou
à jornalista Ana Carolina Soares da Revista Veja São Paulo que não votou em
2018 mas que teria votado em Bolsonaro e que o atual presidente representa uma
esperança para os brasileiros. Comentou também que Sérgio Moro fez justiça na prisão
de Lula.
Não vejo problema
em alguém se manifestar politicamente, aliás isso é preferível em comparação aos
que não se manifestam. Divaldo fala com todo orgulho que tem coragem de expor a
sua opinião. Mas então o que é estranho? É que na mesma reportagem Divaldo comenta que não acompanha política. Ora, como alguém que não acompanha
política pode opinar sobre política?
Se Divaldo
acompanhasse política e estudasse história perceberia que discursos de ódio
contra etnias, gênero e orientação sexual provocaram e continuam a provocar
muita violência. Além disso o médium sempre recomenda que as pessoas não
mintam. Provavelmente nenhum político foi eleito até hoje sem mentir, mas
porque a esperança para os brasileiros é o político que mais mentiu na campanha
de 2018 e que todos os dias publica notícias falsas nas redes sociais e sempre
mente muito nos discursos? Divaldo não
percebeu ainda que Sérgio Moro foi desonesto em suas investigações e que sempre agiu em
benefício próprio, esquecendo a justiça? Propagar violência e defender corrupção e mentiras não é o que Jesus pregou. Ah, mas Divaldo não acompanha política...
Todos temos
obrigação de acompanhar e principalmente influenciar na política. Em outras
palavras, transformar a sociedade através de nossas ações. No espiritismo
compreendemos que existem seres superiores, mas compreendemos também que somos
responsáveis por nossos atos, que se queremos um mundo melhor temos que
transformá-lo, que nenhum ser superior vai fazer nosso trabalho e que seremos
cobrados por nossas atitudes. Só é possível evolução assumindo responsabilidades, colhendo os frutos bons ou maus por nossas atitudes, que devem ser avaliadas para que novas atitudes sejam tomadas.
Portanto, dando ou não opinião sobre política,
Divaldo tem obrigação de entender o que acontece em seu país. Então o maior problema é que ele passa para seus seguidores que podemos confiar cegamente em um ser elevado, que resolverá nossos problemas. Isso pode ser qualquer coisa, menos o espiritismo criado por Allan Kardec.
Fonte:
https://vejasp.abril.com.br/cidades/medium-divaldo-franco/
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