sábado, 26 de outubro de 2019

O estranho caso do médium espírita que não acredita na evolução

O estranho caso do médium espírita que não acredita na evolução

Me parece estranho o comportamento do médium Divaldo Franco, conhecido em todo o mundo pela propagação do espiritismo e pelas obras de caridade. Recentemente ele declarou à jornalista Ana Carolina Soares da Revista Veja São Paulo que não votou em 2018 mas que teria votado em Bolsonaro e que o atual presidente representa uma esperança para os brasileiros. Comentou também que Sérgio Moro fez justiça na prisão de Lula.

Não vejo problema em alguém se manifestar politicamente, aliás isso é preferível em comparação aos que não se manifestam. Divaldo fala com todo orgulho que tem coragem de expor a sua opinião. Mas então o que é estranho? É que na mesma reportagem Divaldo comenta que não acompanha política. Ora, como alguém que não acompanha política pode opinar sobre política?

Se Divaldo acompanhasse política e estudasse história perceberia que discursos de ódio contra etnias, gênero e orientação sexual provocaram e continuam a provocar muita violência. Além disso o médium sempre recomenda que as pessoas não mintam. Provavelmente nenhum político foi eleito até hoje sem mentir, mas porque a esperança para os brasileiros é o político que mais mentiu na campanha de 2018 e que todos os dias publica notícias falsas nas redes sociais e sempre mente muito nos discursos? Divaldo não percebeu ainda que Sérgio Moro foi desonesto em suas investigações e que sempre agiu em benefício próprio, esquecendo a justiça? Propagar violência e defender corrupção e mentiras não é o que Jesus pregou. Ah, mas Divaldo não acompanha política...

Todos temos obrigação de acompanhar e principalmente influenciar na política. Em outras palavras, transformar a sociedade através de nossas ações. No espiritismo compreendemos que existem seres superiores, mas compreendemos também que somos responsáveis por nossos atos, que se queremos um mundo melhor temos que transformá-lo, que nenhum ser superior vai fazer nosso trabalho e que seremos cobrados por nossas atitudes. Só é possível evolução assumindo responsabilidades, colhendo os frutos bons ou maus por nossas atitudes, que devem ser avaliadas para que novas atitudes sejam tomadas. 

Portanto, dando ou não opinião sobre política, Divaldo tem obrigação de entender o que acontece em seu país. Então o maior problema é que ele passa para seus seguidores que podemos confiar cegamente em um ser elevado, que resolverá nossos problemas. Isso pode ser qualquer coisa, menos o espiritismo criado por Allan Kardec.


Fonte:

https://vejasp.abril.com.br/cidades/medium-divaldo-franco/

Nenhum comentário:

Postar um comentário