Os grandes genocídios contra as populações indígenas das Américas feitos por todos os colonizadores europeus foram milhares de vezes mais destrutivos, do ponto de vista humano, cultural e ecológico. Assim como foram também os cometidos nos continentes africano e asiático. Mas na época em que ocorreram, a maior parte da população que sobreviveu e se beneficiou não tinha consciência do que aconteceu. As informações eram totalmente controladas pelos impérios e igreja, quem ousasse pensar e contestar não teria vida longa. Foi o nazismo no seio da população até então considerada mais civilizada que mostrou quão destrutível pode ser o preconceito.
Na minha juventude sempre me questionei como pôde chegar àquele ponto. Como quem deveria dar exemplo permitiu tanta violência, tantas mortes, feridas que até hoje não cicatrizaram. O alívio que eu tinha era que aquilo não ocorreria novamente, então quando eu via aqueles grupos neonazistas imaginava que eram casos isolados. Quão grande foi meu susto quando descobri que o nazismo e o fascismo estavam ganhando força no mundo, inclusive no Brasil. Que muita gente está disposta a criar campo de concentração e câmara de gás para defender seu deus.
O medo me obrigou a estudar, ler muitos livros, ouvir opiniões de estudiosos, compreender o que causa esse fenômeno. No princípio tive receio, a violência pode ser muito dolorosa. Mas o efeito foi o contrário, a informação é essencial para combater o mal.
Neste ano que passou entendi que temos no Brasil há muito tempo e ainda vivo nosso genocídio principalmente contra populações indígenas, negras e pobres, assim como em vários outros países. A maior parte da população não tem consciência, esse é o objetivo do mercado. Imagine que impacto comercial teria nas vendas de baterias para carros elétricos quando as pessoas souberem que um governo sofreu golpe para que o minério em uma reserva indígena possa ser explorado.
Então meu desejo para 2020 é que cada vez mais você se informe, de preferência usando fontes independentes, chegando a conclusões próprias. Genocídios continuam acontecendo, a destruição da natureza chegou próxima a um nível de catástrofe, existem campos de concentração nos países mais ricos do mundo, inclusive para crianças. Que neste ano o nazismo e todas as outras formas de preconceito voltem a ser vergonhosos.
Opiniões que ninguém pediu
domingo, 5 de janeiro de 2020
sábado, 16 de novembro de 2019
Graças a Deus!
Maria acordou cedo hoje, está feliz com o novo emprego. Estava
difícil cuidar dos três filhos após o marido sair de casa. Agora que
muitos bares e lojas estão fechando, a situação se complica para uma
mulher negra com mais de 40 anos. Com a ajuda dos vizinhos pôde comprar a
comida, mas se não fosse o bom pastor intercedendo por ela junto a Deus
provavelmente algum filho adoeceria. Isso seria uma tragédia, já que está
faltando médico e remédios no hospital.
Além do trabalho cotidiano de cozinhar para dez pessoas e cuidar
de uma idosa aposentada, hoje foi um dia muito especial, pois como a Igreja
Católica não tem recursos para manter os missionários, a patroa muito católica
recebeu dois deles em sua casa. Maria fez tudo certinho, cuidou da casa e de
todos. Até participou do terço à noite, algo difícil para ela que foi
evangélica a vida toda. Estava nervosa, engoliu algumas frases, mas com fé foi
até o fim, pois a patroa deu a ela a honra de rezar um dos mistérios diante dos
missionários.
A noite, antes de dormir aproveitou para rezar novamente
agradecendo. Ainda pensou "ah se José tivesse me deixado continuar na
escola, eu não teria esquecido algumas partes da Avé Maria e Deus me ajudaria
ainda mais. Mas não tem problemas, amanhã vou levar as crianças à praia e
comprar picolé para todas. Se Deus continuar me abençoando uma delas vai
arrumar emprego e cuidar de mim quando eu não puder mais trabalhar".
terça-feira, 29 de outubro de 2019
Os brasileiros vão às ruas?
Os brasileiros vão
às ruas?
Nas últimas
semanas estamos vendo manifestações populares em vários países da América
Latina. Pessoas foram às ruas no Chile, Equador, Peru, Venezuela, Honduras e
Haiti e a semelhança que existe entre tais manifestações é o protesto contra
sistemas políticos e econômicos que não representam seus interesses, por
exemplo as políticas de austeridade que também influenciaram nas eleições da
Argentina e do Uruguai. A cada dia fica mais difícil convencer as pessoas de
que elas precisam se sacrificar cada vez mais para beneficiar uma parcela muito
pequena da classe dominante, que na maior parte reside nos países mais ricos.
E no Brasil? Eu
não conheço país onde a população tenha perdido mais diretos desde o golpe parlamentar
de 2016. Veio uma reforma trabalhista com muitas perdas de direitos,
principalmente para os trabalhadores de baixa renda, uma reforma da previdência
que vai dificultar a aposentadoria de muitos trabalhadores formais e quase
impossibilitar a aposentadoria da maioria dos trabalhadores informais, redução
do salário mínimo, diminuição nos investimentos em saúde, cortes no orçamento
da educação após já ter sido aprovado no ano anterior, entre outras perdas.
Então por que os
brasileiros ainda não estão nas ruas? Acredito que algumas pessoas que foram às
ruas de 2013 a 2016 ainda acreditam que suas demandas serão atendidas, não
perceberam que a situação piorou. Essas pessoas foram capturadas pelo discurso
da extrema-direita de combate a violência, fim da corrupção com consequente
melhoria na qualidade de vida e geração de empregos através da adoção de
políticas liberais. Não houve políticas de combate a violência, o que se vê na
verdade é aumento de violência do governo contra os mais pobres, negros e
indígenas, não houve aumento no número de empregos e as pessoas estão vendo
pelos exemplos da América Latina que políticas liberais e de austeridade não
são a solução e nem precisa falar em corrupção, pois esse deve ter estar sendo
o governo mais corrupto da história do Brasil, o que não é pouco.
Acredito que uma hora vai surgir a gota d’água, que a população indignada vai às ruas espontaneamente
como em 2013. Os partidos de esquerda e demais que são oposição ao governo, ou
não estão conseguindo organizar protestos ou não estão querendo, talvez como
estratégia de adiar protestos pensando nas eleições de governadores e
vereadores no ano que vem. Caso seja isso, acho muito perigoso, vamos mais uma tez o
risco de populistas apoiados pela mídia e grandes empresários assumirem o poder
e continuar governando contra a população mais carente. Nós temos que pelo
menos mostrar a essa parcela da população que a direita nunca estará ao lado
dela.
Neste ano o povo
já mostrou que tem vontade e capacidade de se organizar. As manifestações em
defesa da educação foram enormes e abalaram o governo. Todos têm medo de
protestos. Vejam como Bolsonaro sempre recua quando percebe que uma medida foi
muito impopular. Vejam como a Lava Jato só conseguia tomar uma decisão baseada
no apoio popular, daí o envolvimento da grande mídia e dos vazamentos de
depoimentos de delação premiada premeditados.
Se conseguirmos
unir as demandas populares das classes mais exploradas e levar isso para as ruas, acho possível não apenas reverter todas as crueldades impostas à classe trabalhadora nos últimos anos mas ainda conseguir muito mais direitos. Já que os partidos não estão
conseguindo, acho até melhor, nós temos que pensar em uma forma de unir a população
em suas demandas sociais e econômicas.
sábado, 26 de outubro de 2019
O estranho caso do médium espírita que não acredita na evolução
O estranho caso do médium espírita que não acredita na evolução
Me parece estranho
o comportamento do médium Divaldo Franco, conhecido em todo o mundo pela
propagação do espiritismo e pelas obras de caridade. Recentemente ele declarou
à jornalista Ana Carolina Soares da Revista Veja São Paulo que não votou em
2018 mas que teria votado em Bolsonaro e que o atual presidente representa uma
esperança para os brasileiros. Comentou também que Sérgio Moro fez justiça na prisão
de Lula.
Não vejo problema
em alguém se manifestar politicamente, aliás isso é preferível em comparação aos
que não se manifestam. Divaldo fala com todo orgulho que tem coragem de expor a
sua opinião. Mas então o que é estranho? É que na mesma reportagem Divaldo comenta que não acompanha política. Ora, como alguém que não acompanha
política pode opinar sobre política?
Se Divaldo
acompanhasse política e estudasse história perceberia que discursos de ódio
contra etnias, gênero e orientação sexual provocaram e continuam a provocar
muita violência. Além disso o médium sempre recomenda que as pessoas não
mintam. Provavelmente nenhum político foi eleito até hoje sem mentir, mas
porque a esperança para os brasileiros é o político que mais mentiu na campanha
de 2018 e que todos os dias publica notícias falsas nas redes sociais e sempre
mente muito nos discursos? Divaldo não
percebeu ainda que Sérgio Moro foi desonesto em suas investigações e que sempre agiu em
benefício próprio, esquecendo a justiça? Propagar violência e defender corrupção e mentiras não é o que Jesus pregou. Ah, mas Divaldo não acompanha política...
Todos temos
obrigação de acompanhar e principalmente influenciar na política. Em outras
palavras, transformar a sociedade através de nossas ações. No espiritismo
compreendemos que existem seres superiores, mas compreendemos também que somos
responsáveis por nossos atos, que se queremos um mundo melhor temos que
transformá-lo, que nenhum ser superior vai fazer nosso trabalho e que seremos
cobrados por nossas atitudes. Só é possível evolução assumindo responsabilidades, colhendo os frutos bons ou maus por nossas atitudes, que devem ser avaliadas para que novas atitudes sejam tomadas.
Portanto, dando ou não opinião sobre política,
Divaldo tem obrigação de entender o que acontece em seu país. Então o maior problema é que ele passa para seus seguidores que podemos confiar cegamente em um ser elevado, que resolverá nossos problemas. Isso pode ser qualquer coisa, menos o espiritismo criado por Allan Kardec.
Fonte:
https://vejasp.abril.com.br/cidades/medium-divaldo-franco/
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